Curso com Nelma Cabral: Ódio e sexualidade nas relações raciais e de gênero
*Psicanalista, membra do EBEP-Rio
Inscrições no Sympla aqui
6 encontros online, ao vivo pelo Zoom, semanal as segundas-feiras, das 19h às 20h30
Calendário: 16, 23 e 30/03 e 06, 13, 27/04/2026
AÇÕES AFIRMATIVAS: Oferecemos 9 vagas por ações afirmativas para pessoas negras e indígenas. Solicitamos que envie e-mail para ebep@ebep.org.br justificando a solicitação da inscrição. As vagas serão ocupadas conforme ordem de inscrição.
Os discursos e crimes de ódio dirigido às mulheres, homossexuais, transexuais, travestis, pessoas negras e indígenas não são fruto apenas das redes sociais e nem também um fenômeno recente. Marca estrutural e histórica com raízes no sistema escravocrata, na desigualdade extrema, os discursos e crimes de ódio, em geral, foram silenciados ou apagados da história da formação social brasileira.
Mas, o que é o ódio e quais são seus registros, suas dimensões, suas modalidades e seus destinos na convivência das múltiplas comunidades do vivente humano em sua relação com os demais viventes?
Lacan abordou o ódio aliado ao amor e à ignorância, três paixões do Ser, momento provisório em que o sujeito suspende sua divisão e olha o mundo à sua volta segundo a sua ótica. A ausência de divisão afasta qualquer operação simbolizante, consequentemente, a diferença.
Pretendo neste curso a partir da exploração teórica e clínica do ódio nos modos de subjetivação e de gozo, problematizar como este afeto e o sexual se fazem presentes nas relações raciais e de gênero. O ponto de partida deste curso será a abertura de Freud para introduzir uma outra ordem para se pensar as coisas do sexo, o registro do ódio e da morte, o que considero um posicionamento ético e político para o que foi descortinando em sua escuta. Nem os registros do sexual e nem os do ódio foram considerados como uma vontade perigosa a ser combatida, como prescrevia o discurso psiquiátrico de sua época, mas registros a exigir uma outra concepção, dado a sua presença no reino do humano. As questões – como o ódio é articulado no discurso freudiano com a sexualidade concebida como intimamente ligada ao inconsciente, como um dispositivo estruturante do sujeito e de sua relação com o mundo? E como este afeto é articulado com o inconsciente, o narcisismo e a pulsão de morte na relação do sujeito consigo mesmo e com o mundo? – fazem parte do percurso que pretendo realizar.
Na escuta freudiana, o ódio está presente na histeria, na neurose obsessiva, na paranoia, na melancolia enfim em todas as estruturas ou modos de subjetivação. Como parte da economia de prazer-desprazer e dor do vivente humano, o ódio antecede ao amor e se confunde com o desprazer quando o organismo não tem suas necessidades de satisfação atendidas.
É preciso odiar para tornar-se um sujeito, para admitir um estrangeiro, um Outro primeiro exterior, que pode figurar pelo automatismo mental, pela sensação estranha de algo terrorífico que o ameaça, pela figura do feminino pensado como diferença, o Outro, como nos mostrou Neusa Santos Souza.
Outro sexo, outro modo de gozo, outra raça, outra etnia.
Como psicanalistas precisamos admitir as manifestações de ódio na relação transferencial, no laço social e seu papel decisivo na experiência do vivente humano, como Freud o fez ao tratar deste afeto em suas metapsicologias. Como psicanalistas precisamos escutar, problematizar e pensar como o ódio e as coisas do sexo se apresentam nas relações raciais e de gênero em nossa época e no contexto em que atuamos. São inquietações e exigências de um pensar metapsicológico sobre essas questões que me levam a propor este curso.


