Curso com Jorge Luiz Veschi: Clínica do trabalho e as novas formas de repressão e recalcamento da sexualidade (Turma 01)
Turma 6as feiras (sextas-feiras, semanal)
Horário: 10h às 12h, online pelo zoom – 8 encontros
Calendário: Fevereiro: 27 / Março: 6, 13, 20 e 27 / Abril: 10, 17 e 24
Inscrição no Sympla aqui.
As demandas mais insistentes de atendimento para adultos é quanto a vida laboral e amorosa. Que corresponde ao que está aí para ser elaborado nessa época, quando o sujeito precisa se haver com a incidência das responsabilidades.
O trabalho se encontra calcado no imaginário como nos mitos da punição pelo paraíso perdido em Adão e Eva, em Prometeu e Epimenteu, nos trabalhos de Psique para recuperar Eros; ou no sentido de um operar no mundo e de realizar-se na realidade. Vamos ver as condições nas quais o trabalho se torna uma questão clinica e seus desdobramentos.
Elaborar a perspectiva de Freud que situa a questão da psicopatologia enquanto fator quantitativo, portanto quanto a uma economia libidinal e, a construção de Lacan de que ‘Marx inventou o sintoma’. O enlaçamento da economia social e anímica através da diferença trabalhada por Freud entre o sentido da economia enquanto ‘Ökonomisch’ ou enquanto ‘Wirtschaftlich’, ajuda a elaborar a questão da clínica do trabalho na atualidade.
Como o trabalho do analista se enquadra nas condições geral do campo de trabalhos na atualidade? Que tipo de clinica se constitui para o analista a partir das consequências de seu trabalho?
O conjunto das situações de assédios, abusos e traumas oriundos do ambiente de trabalho e das possibilidades que o trabalho estabelece aparecem de maneira importante na nossa clinica cotidiana.
A economia interna e social faz parte ativa das novas formas de repressão e recalcamento da sexualidade. Freud em vários momentos fez questão de distinguir sexo de sexualidade no que desenvolvia através da psicanálise enquanto enraizamento das questões psicopatológicas.
As transformações sociais se deram mais no campo do sexo e não da sexualidade naquilo que ela tem a ver com a questão do psiquismo e da economia libidinal. Vamos ver que esses desdobramentos não representam alterações significativas no campo das repressões e recalcamentos da sexualidade enquanto campo das fantasias e dos fantasmas. De fato a sociedade se deslocou da ‘era das neuroses’ para a ‘era dos narcisismos’.
A economia neo liberal e as condições narcísicas são a cara e a coroa da mesma moeda. Nas bases da economia neo liberal os excluídos pressionam intensamente, nas bases das condições narcísicas a diversidade das moções pulsionais e objetos também pressionam intensamente. De que maneira a clínica psicanalítica responde a essas situações?
Vamos encontrar nessas condições as situações mais intensivas das relações de poder e suas consequências.
As condições anímicas, econômicas e políticas não são dissociáveis. Como tudo o que entra ou sai do sistema anímico precisa ser romanceado, a família e o ambiente romanceiam essas condições de forma a criar um enovelamento e uma articulação permanente entre as condições internas e externas; de forma que aquilo que é externo participa do mundo interno e o mundo interno participa da maneira como o externo é vivido. Na condição de psicanalistas precisamos encontrar maneiras de operar nos interstícios desses emaranhados.

