Evento de Encerramento com Rodrigo Ventura, mediação Vitor Maia, Ebep-Rio, 2025

Dia: Sábado, 13 de dezembro, 2025

Horário: 10hs

Local: Sede do EBEP-Rio

Entrada Gratuita, sem necessidade de inscrição


Hoje, o difícil é o amor

Partindo de uma fala recorrente de um paciente, que dá título a esta apresentação, pretendo discutir os impasses e as dificuldades da experiência amorosa na atualidade, atravessada por desencontros, frustrações e descrença. Dando voz à clínica, é impressionante o quanto o amor se mostra uma questão central no sofrimento contemporâneo. Quando falamos de família, romance, trabalho, amigos, corpo, ou seja, quando falamos das mais diversas relações conosco e com o mundo, estamos falando de amor.

Oscilando na corda bamba entre a falta de lastro de um amor próprio e a tentativa de um amor pelo outro que vai perdendo sua nitidez, espremido pela lógica neoliberal do desempenho e da competição, tentando sobreviver em meio a tanto desalento e precariedade, o sujeito contemporâneo se sente sem chão, perdido e à deriva num oceano de desamor.

Diante de tantas violências, guerras e injustiças que atravessam nosso tecido social. Diante da distribuição desigual do luto e do valor da vida no planeta. Diante da inflação do eu e da erosão do outro, marcas de um narcisismo social patológico, que expulsa as diferenças, constrói muros e fecha fronteiras. Sim, é preciso falar de amor.

Mas não de um amor ingênuo e romântico, e sim de um amor potente: um amor como ato de transformação de si e do mundo. E, como escreve Freud em sua carta a Einstein, Por que a guerra? (1933): “A psicanálise não tem motivo para se envergonhar se nesse ponto fala de amor.”