Grupo Horizontalidade, Formação e Trabalho do Analista
O EBEP se propõe uma instituição horizontal, o que significa dizer que a relação entre seus membros não deve ser marcada pela verticalidade de uma hierarquização. Busca-se, com isso, eliminar o tom professoral que muitas vezes predomina nos espaços de psicanálise, onde é possível diferenciar o mestre de seus vários discípulos. Este grupo de trabalho busca problematizar justamente de que forma essa horizontalidade se manifesta ou deixa de se manifestar nas práticas da instituição.
O tema da horizontalidade recai sobre o tema da formação, uma vez que os espaços de formação em psicanálise são muitas vezes marcados pela verticalidade da análise didática, que estabelece uma hierarquia entre o formando e seu mestre. O EBEP não se configura como um espaço de formação, e esta posição tensiona uma outra questão: o que é a formação em psicanálise? É possível haver formação em um espaço horizontal? Aqui o conceito de formação permanente, ou seja, aquela que fala do percurso do analista (que está sempre em percurso) entra em conflito com o que se chama de formação “clássica”, que monopoliza o conceito universalizando a forma de transmissão da psicanálise, reproduzindo os modos de aprendizagem propostos pelos países – e mestres – europeus.
A formação em psicanálise também está intimamente relacionada ao trabalho do analista. O termo “trabalho” é uma escolha controversa, mas política. Muitos preferem o termo “ofício” para se referir à prática do analista. Acreditamos que isso intencionaafastar a psicanálise de uma prática neo-liberal, mantendo um ideal de analista espelhado nos mestres europeus e distantes da realidade brasileira. O grupo busca problematizar as formas com as quais o psicanalista está inserido no contexto de um mundo que funciona sob essa lógica. O psicanalista estaria realmente imune a isso que o circunda? Ele não teria contas a pagar, como qualquer trabalhador? Considerar a psicanálise como ofício e não como um trabalho acaba por afastar aqueles que dependem dela como fonte de renda, tornando-a uma prática elitizada. O grupo busca problematizar esta escolha de termos e adentrar a fundo no que de fato consiste no trabalho do analista.
Periodicidade: Quinzenal – 2ª e 4ª segunda-feira do mês às 21h
Representante: Rodrigo Siqueira Borges
Componentes:
Carlos C. Coelho
Beatriz Boueri
Bárbara Taveira Fleury
Paula Kamp
Tassiana Frank
Ana Eduarda Diehl
Francisco Verissimo (RJ / PE)
Luana Moraes


