Curso Online – ESPAÇOS PÚBLICOS, IMAGENS E MEMÓRIAS SOCIAIS: formas de pensar, transmitir e elaborar o passado traumático no presente

ESPAÇOS PÚBLICOS, IMAGENS E MEMÓRIAS SOCIAIS: formas de pensar, transmitir e elaborar o passado traumático no presente
Professor: Adrianna Setemy – Doutora em História Social pelo PPGHIS-UFRJ
Horário: Segundas-feiras, das 19h às 21h
Duração: 06/07 à 27/07
Máximo: 98 alunos
Valor: R$ 160,00
Membros do EBEP: R$ 80,00

Link para a inscrição: https://www.sympla.com.br/curso-espacos-publicos-imagens-e-memorias-sociais__888780

O registro imagético, a demarcação e a monumentalização dos locais onde ocorreram acontecimentos traumáticos pode ser entendido como parte de um esforço em garantir o direito à verdade, memória e justiça das vítimas de graves violações de direitos humanos e seus descendentes.

Através de museus, monumentos, fotografias, filmes de ficção, documentários, vídeos e programas de televisão, o passado retorna e se instala no presente. Esses espaços e imagens fazem parte do processo de construção das memórias sociais relacionadas aos acontecimentos do passado, ajudam a moldar e dar sentido aos relatos e representações sobre o passado, permitem transmitir às novas gerações o que aconteceu, evocam o que foi vivido e relembram os traumas vivenciados em um passado compartilhado.

Em 1940, no texto “Teses sobre o conceito da história”, Walter Benjamin afirmou que
“existe um encontro secreto, marcado entre as gerações precedentes e a nossa”. Embora o encontro entre as gerações pudesse ocorrer, era “secreto”: ninguém sabe quando ou onde pode ocorrer. Considerando que uma das características do mundo contemporâneo é a dificuldade de estabelecer o vínculo geracional, condição necessária para qualquer situação de transmissão, como os espaços e imagens produzidos com o objetivo de relembrar o passado traumático, podem ser usados no sentido de concretizar o encontro entre aqueles que viveram as experiências traumáticas do passado e os que nasceram em um mundo completamente diferente?

No campo cada vez mais amplo e dinâmico dos estudos da memória, o estudo dos espaços e imagens ganhou interesse particular nos últimos anos, a partir de questões relacionadas aos dilemas em torno da representação de experiências limites, à construção de identidades narrativas, a problemática do conflito entre memórias e os desafios da transmissão geracional.

Este curso pretende oferecer instrumentos teóricos para refletir e investigar o vínculo entre espaços públicos, imagens e memórias, com ênfase especial nos desafios memoriais produzidos pelas múltiplas experiências de violência política e estatal vivenciadas na América Latina da segunda metade do século XX e do início do século XXI.

Objetivo: Este curso irá abordar a relação entre o trabalho da memória, os espaços públicos e as imagens que servem para lembrar, expressar e dar sentido ao passado. Iremos discutir, de maneira crítica, as peculiaridades de cada registro memorialístico em diálogo com seus contextos sócio históricos de produção e circulação.

Conteúdos:

. 1º encontro (06/07) – Direitos humanos e memória: dois discursos historicamente sobredeterminados
As relações intrínsecas entre o movimento internacional dos direitos humanos e os fluxos transnacionais da memória, a partir do pós- Segunda Guerra Mundial

. 2º encontro (13/07) – Desafios políticos e epistemológicos de registrar o trauma em espaços públicos e imagens
As possibilidades e os limites da representação de acontecimentos traumáticos e sua articulação com as memórias sociais.

. 3º encontro (20/07) – O problema da transmissão geracional: entre o “dever de memória” e o “direito à memória”
A invasão do espaço público por uma memória transformada em ritual e/ou objeto de consumo e suas possiblidades na transmissão e elaboração dos traumas e violências que evoca.

. 4º encontro (27/07) – As imagens, os espaços públicos e testemunho: potencialidades, limites e tensões históricas
Os testemunhos de experiências limite, suas condições de possibilidade, circulação e transmissão. Polêmicas e debates em torno da relação entre testemunho e verdade e das fronteiras do representável. O projeto “Territórios clínicos de la memoria”.

Referências bibliográficas:

CATELA, Ludmila. Lo invisible revelado. El uso de fotografías como (re) presentación de la desaparición de personas en Argentina

DÜRR, Christian. “Acusación y terapia: los Gedenkstätten en Alemania y Austria y los sitios de memoria en Argentina”. Kamchatka. Revista de análisis cultural 13 (Junio 2019): 13-29.

GUARINI, Carmen. El “derecho a la memoria” y los límites de su representación

HUYSSEN, Andreas. Os direitos humanos internacionais e a política da memória: limites e desafios. In: HUYSSEN, Andreas. Culturas do passado-presente: modernismo, artes visuais, políticas da memória. Rio de Janeiro: Contraponto, 2014, p. 195-213.

JELIN, Elizabeth and LANGLAND, Victoria. “Las marcas territoriales como nexo entre pasado y presente.” Monumentos, memoriales y marcas territoriales, 2003, p. 1-16. Disponível em: http://centromemoria.gov.co/wp-content/uploads/2013/11/lasmarcas-JelinLangland.pdf

–––––––––––––––. Las múltiplas temporalidades del testimonio: el pasado vivido y sus legados presentes. Clepsidra. Revista Interdisciplinaria de Estudios sobre Memoria, v. 1, n. 1, p. 140-163, 2014.

ROTHBERG, Michael. De Gaza a Varsovia: hacia um mapa de la memoria multidimensional.

SARLO, Beatriz. Tempo passado: cultura da memória e guinada subjetiva. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

SELIGMANN-SILVA, Márcio. “Apresentação da questão: a literatura do trauma”; “O testemunho: entre a ficção e o real” . ____. História, memória e literatura: o testemunho na era das catástrofes. Campinas: Unicamp, p.59-88; 371-386.

––––––––––––––––––––. TESTEMUNHO E A POLÍTICA DA MEMÓRIA: O TEMPO DEPOIS DAS CATÁSTROFES. Projeto História: Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados de História, v. 30, dez. 2009. Disponível em: <https://revistas.pucsp.br/revph/article/view/2255/1348>. Acesso em: 01 mar. 2020.

SONTAG, Susan. Diante da dor dos outros. Editora Companhia das Letras, 2003.

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