Simpósio – Suicídio em debate – 2ª parte – 27/04

DIA 27/04 – Sábado às 10h

Inscrição: R$ 20,00

Simpósio – Suicídio em debate – 2ª parte

O capitalismo suicida as pessoas: indagações sobre a agonia capitalista e saúde mental

Fábio Araújo – Sociólogo, professor do IFRJ, autor do livro Das Técnicas de Fazer Desaparecer Corpos.

A apresentação propõe uma reflexão sobre capitalismo e saúde mental. Para isso retoma algumas ideias e análises do pensador italiano Franco Berardi, para quem o neoliberalismo produziu um efeito radical de destruição do humano e é um incentivo maciço ao suicídio. A combinação entre as condições de vida que o capitalismo cognitivo-financeiro produz, os efeitos das tecnologias digitais e a mediatização das relações de comunicação pode produzir uma condição de individualização competitiva e isolamento psíquico que provoca uma extrema fragilidade, que se mostra como predisposição ao suicídio. Os “suicídios homicidas espetaculares” – mais do que a falta de razão dos políticos e economistas – oferecem uma perspectiva fundamental sobre a história do presente, porque representam as tendências mais extremas de nossa época, neles se vê os heróis de uma época niilista, uma era de apavorante estupidez: a do capitalismo financeiro.

Sob o signo da infâmia: o homicídio/suicídio e o projeto de existência post mortem

Flora Daemon – Professora do curso de Comunicação da UFRRJ, doutora e mestre em Comunicação pela UFF, autora do livro Sob o signo da infâmia: as estratégias midiatizadas de jovens homicidas/suicidas em ambientes educacionais (Garamond/Faperj, 2015), pesquisa contemplada com Menção Honrosa do Prêmio Capes de Teses. Atualmente desenvolve estudos sobre midiatização, escritas de si e juventude com interface com Estudos de Gênero.

Nos dedicaremos a pensar sobre casos de homicídio/suicídio cometidos por jovens na circunscrição de instituições de ensino em diversas partes do mundo. Nosso foco são os perpetradores que buscam o desenvolvimento de produtos comunicacionais, a partir de linguagens diversas, com o intuito de pautar o trabalho jornalístico e, também, inspirar novos autores de crimes cuja natureza se baseie na dimensão da fama/infâmia. Os jovens homicidas/suicidas se convertem em autores do delito e do discurso na medida em que pretendem fazer resistir suas memórias já na condição de indivíduos mortos.Tal estratégia evidencia um paradoxo: em tempos de grandes investimentos em intervenções que visam a prorrogação da vida, tais indivíduos utilizam a potência indomesticável da morte para forjar um tipo de existência que passa, necessariamente, pela imagem midiatizada do crime e pelo autoaniquilamento biológico.