ENCONTRO – 24/11

DIA 24/11 – Sábado, 10h00 – 16h00
ENTRADA FRANCA

ENCONTRO – A escuta da violência na cultura e na psicanálise

Mesa seguida de debate: 10h00 – Violência do Estado na cultura

Novo regime de segurança: necropolítica, crueldade e razão cínica

Pretendo partir das imagens trágicas desenhadas na nossa “síndrome de Canudos” para pensar a pulsão de crueldade, que se manifesta atualmente, como autodestruição e recusa ao diverso no discurso do fascismo social no Brasil, mostrar a força do discurso da ordem e do ‘branqueamento’ submetido ao projeto do “choque de civilizações”. Vemos a formação de um  regime policial-punitivo de segurança interna que atualiza o direito de matar como nossa marca específica, da nossa formação  social. Ao mesmo tempo em que se inaugura um novo modo de produção de violência material e simbólica. Como uma economia da crueldade que afeta os corpos, a subjetividade e define as lutas de fronteiras que fazem do Brasil um campo de batalhas globais. Espetáculo que é ampliado nas imagens e disputas desde o espaço do complexo comunicacional-cibernético e através de jogos de guerra nas cidades. No ponto em que se esgota o espaço institucional, no âmbito das atuais relações de força e, caem por terra os velamentos de nosso liberalismo restrito. Estamos diante do deserto do real?
Cunca Bocayuva – Doutor em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR-UFRJ), Coordenador do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos (NEPP-DH/UFRJ) e Membro do Grupo Trauma e Catástrofe

A perda do protagonismo histórico do trabalho: motivos e consequências

A comunicação proporá um brevíssimo esquema das grandes transformações que marcam a reprodução do capitalismo, com particular foco nas relações entre as classes sociais. O objetivo básico é averiguar o lugar do trabalho na atualidade, sob o pressuposto de que as práticas de classe o recompuseram. Esse quadro, por um lado, pretende compreender as razões de uma enorme mudança nas relações de força e, por outro, especular sobre suas consequências socioculturais.

Vale anotar que, conquanto a comunicação lidará com temas econômicos, a abordagem e o interesse cognitivo são de natureza sociológica e procuram enfatizar as práticas cotidianas e as novas formas de controle social. Neste sentido, o policiamento e seus sentidos, de um lado, e de outro a criminalidade violenta e suas implicações serão objetos privilegiados.
Luiz Antonio Machado da Silva – Professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos/Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Bolsista de produtividade do CNPq. Autor e organizador de vários livros, e em 2016 foi agraciado com o Prêmio de Excelência Acadêmica em Sociologia Antonio Flavio Pierucci, concedido pela ANPOCS.

Mesa seguida de debate: 11h30 – Efeitos psíquicos da violência do Estado

Escutando violentados pelo Estado na ditadura e na democracia… o que aprendemos com eles para entender a situação atual?

A partir da posição de testemunho de uma escuta dos violentados pelo Estado, será apresentada uma reflexão sobre a experiência clínica com essas pessoas que vem sendo realizada ao longo dos últimos anos. O intuito da mesa é promover reflexões que nos ajudem a pensar a conjuntura atual no cenário brasileiro.
Eduardo Losicer – Psicanalista e Analista Institucional Argentino Brasileiro e equipe Clínico Política.

Mesa seguida de debate: 14h00 – Agressividade e ódio na experiência psicanalítica

Erótica do ódio

O ódio, afeto que condena o dizer ao curto circuito das paixões, invadiu os consultórios dos analistas porque tomou conta dos laços entre as pessoas na experiência quotidiana. Nossa responsabilidade, como psicanalistas, é ler o real em jogo no ódio, criar condições para o dizer e com isso, tocar a dimensão do gozo. Que tipo de laço o ódio propõe? É o gozo comunitário e a identificação que devem ser considerados.
Ilana Katz – Psicanalista, Dra. em Psicologia e Educação pela FE/USP, Pesquisadora de Pós-doutorado no IP/USP.

Os avatares do ódio na clínica psicanalítica da atualidade

Freud aponta para a anterioridade do ódio em relação ao amor e insiste que como um fato clínico fundamental, o ódio seria uma força de resistência e destrutividade cujo retorno é sempre possível graças a sua estreita conexão com a pulsão de morte. Lacan retoma o significante paixão da filosofia para se referir aos afetos (affekts) e define o amor, o ódio e a ignorância como “paixões do ser”. O ódio comparece na clínica sob múltiplos semblantes e expressões mais ou menos temperadas do narcisismo. Dada a esta estreita conexão pretendo trazer alguns elementos para pensar os avatares do ódio no manejo transferencial da clínica na atualidade.
Gilsa F. Tarré de Oliveira – Psicanalista, Dra. em Teoria Psicanalítica pela UFRJ. Profa. Ass. do Departamento de Psicologia da UERJ (aposentada). Profa. Titular da UNESA. Profa. do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu Psicanálise e Contemporaneidade, PUC/RJ. Profa. Convidada do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro