Tardes Polêmicas – 05/10

DIA 05/10 – Sexta-feira às 16h30
ENTRADA FRANCA

Dependência de drogas – dependência afetiva
Vínculos familiares na toxicomania

Elizabeth S. Palatnik

Psicanalista, Mestre e Doutora em Saúde Coletiva (IMS/UERJ). Trabalhou desde a fundação, em 1986, e por mais de trinta anos, no Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção de Drogas (NEPAD/UERJ). Autora do livro: “Eu dizia que era ela, ela dizia que era eu”: queixas projetivas na clínica com familiares de dependentes de drogas. Rio de Janeiro: Garamond-Faperj. 2011.

Durante mais de trinta anos de escuta a mães (e outros familiares) de dependentes de drogas, surgiram muitas descobertas significativas no que diz respeito ao sofrimento do familiar e ao modo como se estabeleceu e “costurou” o vínculo, desde o nascimento, com o “futuro” dependente de drogas. O sentimento de culpa materno é muito profundo, assim como são inúmeras as queixas com relação ao filho e ao seu uso de drogas. Conhecer os aspectos culturais que modelam o amor (e culpa) materno ao longo dos últimos séculos, tanto quanto os aspectos psíquicos que intervêm no estabelecimento do vínculo mãe-filho nestes casos – a partir de conceitos fundamentais da psicanálise como o de identificação projetiva de Melanie Klein, entre outros –, se tornam subsídios fundamentais para a compreensão desta dinâmica familiar.

Nesta Tarde Polêmica, abordaremos os temas acima levantados e também falaremos sobre o caminho que nos conduziu a escuta destas mães (e outros familiares), caminho este que nos permitiu concluir há tempos que há dependência recíproca no vínculo entre mãe e filho (ou seja, a dependência de drogas é precedida por vínculo afetivo de dependência). Também se tornou evidente para nós que a queixa da mãe com relação ao filho e ao seu uso de drogas, é uma “queixa projetiva”. Assim, se torna notório que a droga é mais um, e não o único fator interveniente na determinação da dependência. Também serão abordadas as dificuldades, impasses e desafios no manejo clínico destes casos e a angústia muitas vezes vivida pelos profissionais que atendem estes familiares e o próprio dependente.