Tardes Polêmicas – 21/09

DIA 21/09 – Sexta-feira às 16h30
ENTRADA FRANCA

O amor e a Psicanálise

Simone Ravizzini

Psicanalista, Doutora em Teoria Psicanalítica pela UFRJ.

Há muito nos deparamos com várias definições que delineiam a questão sobre “o que seria o amor”. Elas advêm dos mais variados campos de saber e apresentam-se de formas diferenciadas, de acordo com o tempo e com a sociedade que as circunscrevem. Ainda assim, é uma pergunta que insiste e não se cala perante as diferenciadas respostas, na medida em que tal definição não se esgota em si mesma. Isso ocorre pois todos temos sempre algo a mais a dizer sobre o amor.

De tal modo, na clínica, escutam-se os dramas e as dificuldades com os quais os seres falantes deparam-se frente ao amor ou à falta dele. Na poesia, esse maravilhoso fazer com a letra, temos inumeráveis formas de dizê-lo. Por isso, não é ingenuamente que Lacan (1972-73) declara ser a poesia o que de mais sério podemos fazer com este sentimento.

O poeta Carlos Drummond de Andrade nos alerta quanto ao traço do amor em ser uma “concha vazia”, que demanda mais e mais amor, infinitamente. Ele continuamente necessita se refazer, procurando um liame que enlace dois seres. Também a psicanálise, de Freud e de Lacan, oferece esse deslindamento ao amor, ao mostrar que este precisa se reinventar insistentemente diante do vazio intransponível que estrutura os seres de fala. Um e outro nunca se fundirão em um só ser, contrariando os suspiros dos mais afoitos. Assim, o amor demanda amor, mais ainda, em um trabalhoso tecer. Cabe-nos problematizar como lidar com tal movimento em um mundo onde a limitação é cada vez menos suportável e o vazio tão pouco tolerável.