Conferência – 02/05

DIA 02/05 – Quarta-feira às 20h30
ENTRADA FRANCA

Dizer a verdade e dizer “eu” em psicanálise: uma abordagem genealógica

Luiz Paulo Leitão Martins

Psicanalista, Doutor em Teoria Psicanalítica (PPGTP-UFRJ) e em Pesquisas em Psicanálise e Psicopatologia (Paris 7), Professor ATER no Departamento de Psicologia (Rennes 2).

“Lacan foi o único depois de Freud a querer recentralizar a questão da psicanálise precisamente em torno do problema das relações entre o sujeito e a verdade”: foi com essa proposição, na primeira aula de seu curso de 1981-2 sobre A hermenêutica do sujeito, que Foucault propôs identificar na psicanálise de Lacan a retomada moderna, após aquilo que chamou de momento cartesiano, de uma antiga inquietação presente na tradição da espiritualidade. Que para dizer a verdade o sujeito tenha de pagar um determinado preço e que pelo fato de dizer a verdade ele seja convocado a assumir os efeitos de seu ato, e isso com todos as suas consequências, esse é um problema que Lacan reintroduziu na experiência psicanalítica, quando articulou a prática da verdade com a produção da subjetividade.

O objetivo dessa conferência é analisar de que maneira dizer a verdade em psicanálise e dizer “eu” têm uma formação histórica, e como essa formação se articula com a forma pela qual na história recente a sexualidade se definiu como um lugar de verdade e como, por uma perspectiva mais ampla, a subjetividade ocidental é atravessada por uma genealogia do homem de desejo. Se o sujeito da verdade em psicanálise é marcado por uma história das tecnologias de si, nossa questão será a de considerar em que medida uma análise do presente, ao mesmo tempo, crítica e genealógica, é aquilo que define em psicanálise as condições de possibilidade de um dizer a verdade de outra maneira.