Conferência – 10/06

DIA 10/06 – Sábado às 10h
ENTRADA FRANCA

O duro dever de desejar do sujeito moderno

Maria Rita Kehl

Psicanalista, escritora. Doutora em psicanálise pela PUC de São Paulo com a tese “Deslocamentos do feminino: a mulher freudiana na passagem para a modernidade”.
Autora de vários livros, entre os quais “O tempo e o cão – a atualidade das depressões”, vencedor do prêmio Jabuti do ano de 2011.
Foi membro da Comissão Nacional da Verdade entre 2012-2014, encarregada da investigação das graves violações de direitos humanos contra camponeses e povos indígenas.

A cultura contemporânea, fortemente impregnada de hábitos e demandas de consumo, contribuiu para desvirtuar o conceito psicanalítico de desejo.

Confunde-se, com frequência, o objeto do desejo com objetos de consumo. Na verdade, os objetos que compramos o intuito de nos valorizar frente ao outro apenas atendem a uma demanda do grupo em que vivemos.

Para a psicanálise, desde Freud, o objeto que move o desejo é um objeto perdido desde os primórdios da constituição subjetiva, quando o infans é separado do Outro materno.

Desejar é verbo intransitivo para a psicanálise. O desejo que nos move não é desejo de algo – é desejo de ser.
Se nosso duro dever – ou destino – é desejar, nem por isso estamos condenados a insatisfação e a frustração. O desejo é o que nos move.

E se não temos esperança de jamais (re)encontrar o objeto perdido, isso não nos condena à permanente frustração: o desejo é capaz de constituir objetos que nos satisfaçam – temporariamente.

Porque se houvesse um objeto capaz de nos satisfazer permanentemente, ele produziria nossa morte subjetiva. É o que nos promete a sociedade de consumo, na contramão da psicanálise, que sustenta o sujeito diante de seu “duro dever de desejar”. E com isso, construir seu percurso.