Curso - 10/03

Agir e brincar – espaço potencial e o uso de um objeto:
A localização da experiência cultural segundo Winnicott
Professor: Eliana Schueler Reis, psicanalista, membro do EBEP.
Horário: Sexta-feira, 14h às 16h
Periodicidade: Quinzenal
Início: 11/08/17

Neste curso iremos trabalhar a questão do agir como uma abertura de possibilidades na análise a utilizando textos do de Winnicott que tratam da criação e do viver criativo. Vamos seguir a indicação de Winnicott quando diz que o brincar está tão em evidência nas análises de adultos quanto no trabalho com crianças e que se manifesta, por exemplo, na escolha das palavras, nas inflexões da voz e, principalmente, no senso de humor.

Vamos explorar com Winnicott a dimensão lúdica e criativa do espaço analítico como espaço potencial; acompanhando suas indicações abordaremos a concepção da experiência cultural como uma criação primária e não como resultado da elaboração dos processos secundários. As pequenas experimentações do bebê com os objetos transicionais tornam-se difusos e se espalham por todo um território intermediário entre a “realidade psíquica interna” e o mundo externo compartilhado constituindo um plano de sensibilidade e ação.

Serão trabalhadas noçoes tais como a experiência da ilusão criadora, a capacidade de estar só na presença do outro, o psicossoma, a agressividade e o uso de um objeto, entre outras.

Para avivar a discussão, incluiremos textos de Ferenczi, Balint e Daniel Stern, cujos trabalhos contribuem para a elaboração de uma perspectiva clínica que favorece a experiência colaborativa no trabalho analítico.

Bibliografia:

A ser definida a partir dos seguintes textos de D.W. Winnicott:
O brincar & a realidade, Rio, Editora Imago
________________ “Objetos transicionais e fenômenos transicionais”
________________ “O brincar: Uma exposição teórica”
________________ “O brincar: a atividade criativa e a busca do Self”
________________ “A criatividade e suas origens”
________________ “O uso de um objeto e relacionamento através de identificações”
________________ “A localização da experiência cultural”
________________ “O papel de espelho da mãe e da família no desenvolvimento infantil”
Explorações psicanalíticas, Porto Alegre, Artes Médicas
______________“O medo do colapso”
______________”Sobre o uso de um objeto”
______________ “Individuação”
______________”As bases para o self no corpo”
O ambiente e os processos de maturação, estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional, Porto Alegre, Artes Médicas.
___________“O desenvolvimento da capacidade de se preocupar”
___________”Distorções do ego em termos de verdadeiro e falso ‘self’”
___________”A capacidade de estar só”
Da pediatria à psicanálise – obras escolhidas, Rio, Imago.
____________“Desenvolvimento emocional primitivo”
____________ ”A agressividade em relação ao desenvolvimento emocional”
____________ “A mente e sua relação com o psicossoma”
____________”Formas clínicas da transferência”
Além dos textos de Winnicott utilizaremos alguns comentadores que trazem uma leitura fecunda do seu trabalho, assim como dois relatos de análise com Winnicott, feitos por dois psicanalistas.
Little, Margareth – Um testemunho: em análise com Winnicott. Traduzido do francês por Eva Nick. Revisão de Davi L. Bogomoletz.
Guntrip, H. – Minha Experiência De Análise Com Fairbairn E Winnicott* (Quão Completo Será o Resultado Que a Terapia Psicanalítica Atinge?)
Luz, Rogério – O espaço potencial -http://www2.uol.com.br/percurso/main/pcs03/LuzWinnicott.htm
____________ Comunicação escrita e pensamento – O exemplo de D.W. Winnicott, in Bezerra Jr , B. e Ortega ,F. (org) Winnicott e seus interlocutores, Rio, Relume Dumará, 2007.
Phillips, Adam – Winnicott, Idéias & Letras, SP, 2006.
___________ Louco para ser normal, Rio, Jorge Zahar Editores, 2008
Outros autores:
Balint, M. – A falha básica, aspectos terapêuticos da regressão, Porto Alegre, Artes Médicas, 1993.
Ferenczi, S. – Textos selecionados das Obras Completas, vols. 1,2,3 e 4, S.P. Ed. Martins Fontes.
___________ Diário clínico, S.P., Ed. Martins Fontes.
Gil, José – Gil, José – Abrir o corpo, in Corpo, arte e clínica, Org: Fonseca, T. M. G. e Engelman, S., Porto Alegre, Ed. Da UFRGS, 2004.
____________ Pequenas percepções, in Lins, D. (org), Razão nômade, Rio, Forense Universitária, 2005.
Santa Roza, E. e Reis, E. S. – Da analise na infância ao infantil na analise, Rio, Ed. Contra Capa, 1997.
Reis, E. S. – De corpos e afetos – transferências e clinica psicanalítica, Rio, Editora Contra Capa, 2004.
Stern, D. – O mundo interpessoal do bebê, P.Alegre, Ed. Artes Médicas, 1992.
_________ O diário de um bebê, P. Alegre, Ed. Artes Médicas, 1991.
_________ O momento presente na psicoterapia e na vida cotidiana, Rio, Ed. Record, 2007.
_________ Forms of Vitality: Exploring Dynamic Experience in Psychology and the Arts, Oxford University Press, 2010.
Stern, D. et al. – Mecanismos não interpretativos na terapia psicanalítica.“Algo mais” além da interpretação, Conformismo, Ética, Subjetividade e Objetividade – Livro Anual de Psicanálise XIV – 2000 (IJPA – 1998), SP, Ed. Escuta.
The Boston Process Change – Study Change in Psychotherapy: A Unifying Paradigm, Norton Professional Books.